MERGULHO CIENTÍFICO / ARQUEOLOGIA SUBAQUÁTICA

PROJETO DE ESTUDO DE SÍTIO DEPOSITÁRIO

ENSEADA DA PRAIA DO FAROL DA ILHA DO BOM ABRIGO-SP

 

Quando falamos em Arqueologia Subaquática, geralmente a primeira idéia que vem à mente são os sítios de naufrágios, embora existam outros tipos não tão conhecidos: os sítios terrestres submersos, os sítios santuários e os sítios depositários.

Os sítios depositários são compostos de objetos perdidos ou descartados intencionalmente, como por exemplo, restos de alimentos, artefatos danificados ou mesmo resultado de uma necessidade de redução de peso em uma embarcação
devido às tempestades, e estes sítios ainda são  muito pouco estudados.

Recentemente, pela primeira vez na história, a Marinha do Brasil enviou um oficial para formação acadêmica especifica em Arqueologia Subaquática: o Capitão-Tenente Ricardo dos Santos Guimarães. O seu projeto de mestrado foi desenvolvido junto ao Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) e está inserido no âmbito do Programa Arqueológico do Baixo Vale do Ribeira que visa estudar os padrões de estabelecimento de seus habitantes a partir de pesquisas arqueológicas relativas, tanto à história antiga brasileira, quanto à história pós-conquistas. Financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) o Programa Arqueológico do Baixo Vale do Ribeira é coordenado pela arqueóloga e docente da Universidade de São Paulo (USP) Prof.a Dr.a Maria Cristina Mineiro Scatamacchia

Guimarães escolheu como tema de seu Projeto os sítios depositários existentes na Enseada da Praia do Farol da Ilha do Bom Abrigo, no litoral Sul do Estado de São Paulo.   

Conhecida desde os primeiros contatos de navegadores europeus, com águas austrais brasileiras, a Ilha do Bom Abrigo tornou-se um local de parada quase obrigatória para os navios que rumavam aos mares do sul, principalmente por oferecer ótimas condições de abrigo possuindo um excelente ancoradouro natural, protegido dos ventos e ondas, água potável e madeira. O diário da expedição de Martim Afonso de Sousa registra a presença deste comandante e sua tripulação na Enseada da Ilha do Bom Abrigo, em 1531, onde permaneceu abrigado por 44 dias.

A utilização do ancoradouro natural da Ilha do Bom Abrigo, ao longo do tempo, proporcionou a formação de um sítio depositário, composto pelos vestígios materiais perdidos ou descartados oriundos de embarcações que permaneceram fundeadas naquele local.

A partir do estudo da cultura material existente na Enseada do Bom Abrigo o pesquisador da USP pretende fazer inferências a respeito da utilização feita pelo homem desse espaço marítimo, que apesar de não edificado está socialmente constituído, e contribuir com a história da Ilha do Bom Abrigo que se encontra inserida no contexto histórico das navegações realizadas ao longo da costa sul paulista.

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O Trabalho de Campo

 

Para a etapa de campo de seu Projeto, Guimarães reuniu um time já experiente em intervenções e pesquisas arqueológicas subaquáticas, composta por Flávio Calippo e Paulo Bava de Camargo (Doutorandos em Arqueologia Subaquática MAE-USP) além de Alvanir Silveira de Oliveira o “Jornada” (Diretor da NAUI Mercosul e responsável pela logística e planejamento dos mergulhos), e durante seis dias a equipe permaneceu embarcada no Albacora, barco de pesquisa cedido pelo Instituto Oceanográfico da USP como base de apoio para as pesquisas .

Partindo de pontos de anomalia registrados em pesquisas anteriores foram realizadas prospecções pontuais na busca de identificar e registrar a presença de cultura material na área submersa da Enseada. Áreas de sondagem também foram abertas visando constatar a presença de vestígios enterrados sob os sedimentos. Durante as prospecções foi empregada a técnica de círculos concêntricos assim como a de em linha direcional. Importante destacar que grande parte das prospecções foi realizada com mergulhador utilizando a técnica de apnéia, o que promoveu grande eficiência na identificação dos pontos de intervenção. Depois de identificados e marcados com sinalizadores de superfície, os pontos de interesse eram então verificados e explorados.

            Os achados foram registrados através de desenhos em prancheta e de fotografia subaquática, mas mantidos no local onde foram encontrados, contemplando a preservação in situ. Os locais contendo vestígios de interesse arqueológico foram georreferenciados por meio de uso de GPS e serão fruto de pesquisas futuras.

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  A tese de Mestrado do Tenente da Marinha Ricardo Guimarães pode ser vista na integra no Banco do Teses da USP
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-01032010-164713/pt-br.php 

 

 

    

Alvanir Silveira de Oliveira “Jornada”
Coordenador Equipe de Mergulho do Projeto
Training Representative NAUI World Wide to South America
Diretor Presidente NAUI Mercosul

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fotos meramente ilustrativas

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